SIGNIFICADO DO NOME EL-JABEL E KAMBAMI

ARKA PROJECT2 - MAIOR

 

Muitos querem saber meu nome ou o que ele significa e de onde vem. Meu nome é Cláudio El-Jabel, um sobrenome egípcio que tem o significado El-Jabel (da montanha). Ora que montanha é essa afinal?

Após a invasão pelos mouros no Egito com a ajuda do então  líder árabe Musa ibn Nusayr, muitos nomes foram modificados, porém me parece que o de minha linhagem não por estar ligado, dar referencia ao Monte Horeb ou Jebel Musa ou ainda Sinai.

Meu Tataravô atravessou o Mar Vermelho e depois outra vez decidindo descer África abaixo e por esse motivo também tenho consanguinidade nos povos Lemba que dão origem a minha dijina  (nome em bantu).

Metafísica Bantu

 

Em diversas outras ocasiões temos feito referência ao conceito lohmanniano de sistema língua/pensamento, aplicado ao caso das línguas semitas e às indo-européias. Neste estudo, consideraremos as classes gramaticais/metafísicas, um fato peculiar às dezenas de línguas bantu, línguas da África subsaariana (dando particular destaque ao kimbundu[1], a língua africana que mais influenciou o português do Brasil).

Se toda língua traz consigo uma visão de mundo, no caso das línguas bantu, com suas classes, este fato é ainda mais acentuado. E a filosofia bantu (uma filosofia não escrita, “uma filosofia sem filósofos”, no dizer de Tempels), a língua e os provérbios aparecem como elementos especialmente privilegiados: a língua, como a própria base sobre a qual se edifica o pensamento; os provérbios, como sua primeira elaboração.

Assim, após apresentar alguns aspectos da língua/pensamento bantu – relativos, sobretudo, à nona classe e aos conceitos de Deus (Nzambi) e de Criação -, iremos estabelecendo (a partir de sugestivos provérbios africanos) um confronto com os mesmos temas na tradição filosófico-teológica clássica ocidental[2], aqui representada por Tomás de Aquino. Precisamente a acentuada diversidade dessas perspectivas torna ainda mais interessantes as coincidências.

 

As classes bantu

 

Há um traço marcante nas línguas bantu, que imediatamente desperta a atenção do filósofo: a divisão dos substantivos em classes nominais, geralmente dez, que, ao contrário das declinações latinas (por exemplo), não se limitam a agrupar gramaticalmente as palavras. Transcendendo a gramática, as classes estabelecem uma autêntica divisão metafísica: a primeira sílaba de cada palavra é um classificador: indica em que setor da realidade[3] (ser humano, animal, rio, categoria abstrata, instrumento, etc.) situa-se[4] o ente designado[5].

Exemplificaremos, a seguir, com o kimbundu. No kimbundu – como em geral nas línguas bantu – encontramos dez classes nominais[6]. Os classificadores de singular e plural são:

 

Classe                                    Classificador

(sílaba inicial)

singular                                  plural

1a.                               mu                                           a

2a.                               mu                                           mi

3a.                               ki                                             i

4a.                               ri                                              ma

5a.                               u                                              mau

6a.                              lu                                             malu

7a.                              tu                                             matu

8a                                ku                                            maku

9a.                            variado                                        ji

10a.                             ka                                            tu

 

Alguns exemplos sobre esse sistema de classes.

 

A primeira classe – cujo classificador é mu/a – é a dos entes racionais, as pessoas. A palavra-chave desta classe é mutu ou muntu, pessoa (daí o plural: bantu), da qual, evidentemente, derivou o classificador mu. Assim, as palavras desta classe são, na verdade, contrações: mukongo, caçador = mu (tu), pessoa + (ku) kongo, caçar. Desta classe, passaram para nossa língua, palavras como mukama e muleke[7].

Já a oitava classe, ku/maku, é a dos termos verbais: ku é semelhante ao to do infinitivo verbal do inglês[8]. Penetraram no português do Brasil: Kuxila, dormitar (Mendonça); Kufundu, penetrar, enterrar (Mendonça). Já em Cannecattim (196, 207), encontramos nfundu, escondido, secreto. Daí kafundó e kafuné (ação carinhosa dos dedos no cabelo). Xinga, insultar (Quintão, 35); sunga, puxar (Quintão, 35). Samba é rezar (Cannecattim, 206). Quando Vinicius de Moraes diz que “o bom samba é uma forma de oração”, está afirmando algo estritamente rigoroso do ponto de vista etimológico.

De especial interesse para as comparações que faremos com o pensamento clássico ocidental é a nona classe: seu classificador plural é ji e apresenta singular variado, mas freqüentemente iniciado por n (ng, nd, nz) ou m (mb) . A consoante que se segue ao n da classe “é eufônica, a fim de evitar que o n entre em contato direto com a vogal do radical” (Kagame, 136). É de decisiva importância a observação de Ntite Mukendi (Mukendi, 103): o classificador n é um indicador de ser. N, no caso, indicaria “o que…”, “aquele que…” por excelência, ostensiva ou tipicamente, exerce tal ação. Assim, da ação de nadar (zoua), procede a palavra para pato (nzoue, aquele que, por excelência, nada); de longa (carregar), ndongo (canoa, a que carrega); de lula (ser amargo), ndululu (fel, o que, tipicamente, é amargo); de enda (andar), ngenji (viajante) etc. (Quintão, 109,110).

Dessa classe é-nos familiar Ngambi, o linguarudo (de amba, falar). É interessante observar que o sufixo verbal -ela (Quintão, 83; Valente, 207) indica finalidade, motivação; daí deriva ngambela, engambelar, falatório para obter algo; falar e falar a fim de…

 

Deus, criação e falar no pensamento de Tomás de Aquino[9]

***”Dai posso por também como exemplo a minha dijina KAMBAMI ao qual irei descrever o porque sua tradução é “O filho que fala pelo Pai”. Após pesquisar bem cheguei ao significado de minha dijina(Kambami), que se torna uma mistura de verbo Kuamba(cujo radical é – amba(falar) mais o prefixo Ka a frente do radical teríamos KAAMBA, que por contração(duas vogais A), passa a Kamba. (A pessoa ou individuo que fala, no caso o filho devido a conotação familiar, e a terminação MI, um acoplamento contraído do pronome possessivo AMI(meu).

Neste caso poderiamos escrever, Kamba uami, ou Kamba ami, ou ainda a forma contraída Kamb’ami.Traduzindo ao pé da letra , teríamos “Falador Meu”, ou sendo chamado (nomeado) assim diretamente por seu Pai, “O filho que fala por mim” ou quando outra pessoa refere-se a mim, diria então que é  “O filho que fala pelo pai”.***

As teses de Tomás sobre o falar e a Criação permitir-nos-ão estabelecer interessantes relações com as concepções de Deus e da Criação na filosofia bantu.

Locutio est proprium opus rationis (I, 91, 3 ad 3); “falar -diz Tomás- é operação própria da inteligência”. Ora, entre a realidade designada pela linguagem e o som da palavra proferida, há um terceiro elemento, essencial na linguagem, que é o conceptus, o conceito, a palavra interior (verbum interius, verbum mentis, verbum cordis), que se forma no espírito de quem fala e que se exterioriza pela linguagem, que constitui seu signo audível (o conceito, por sua vez, tem sua origem na realidade).

Mas, se a palavra sonora é um signo convencional (a água pode chamar-se água, water, eau etc.), o conceito, pelo contrário, é um signo necessário da coisa designada: nossos conceitos se formam por adequação com a realidade. E a realidade, cada coisa real, tem um conteúdo, um significado, “um quê”, uma verdade que, por um lado, faz com que a coisa seja aquilo que é e, por outro, torna-a cognoscível para a inteligência humana. É precisamente isto o que Tomás designa por ratio. Assim, indagar “O que é isto?” (“O que é uma árvore?”, “O que é o homem?”) significa, afinal das contas, perguntar pelo ser, pelo “quê” (quid-ditas, whatness, qüididade), pela ratio, pela estruturação interna de um ente que faz com que ele seja aquilo que é. Daí a sugestiva forma interrogativa do francês: Qu’est-ce que…, “que é este quê?”, “que quê é isto?”.

Esta ratio que estrutura, que plasma um ente é a mesma que se oferece à inteligência humana para formar o conceito, que será tanto mais adequado, quanto maior for a objetividade com que se abrir à realidade contida no objeto.

Dentre as muitas e variadas formas de interpretação da expressão “Deus fala”[10], há uma especialmente importante nas relações entre Deus e o homem: não é por acaso que João emprega o vocábulo grego Logos (Verbum, razão, palavra) para designar a segunda Pessoa da mesma Trindade que “se fez carne” em Jesus Cristo: o Verbum não só é imagem do Pai, mas também princípio da Criação (cfr. Jo 1,3). E a Criação deve ser entendida precisamente como projeto, design feito por Deus através do Verbo. Numa comparação imprecisa[11] com o ato criador divino, considero o isqueiro que tenho diante de mim. Este objeto é produto de uma inteligência, há uma racionalidade[12] que o estrutura por dentro. É precisamente essa ratio que, se por um lado, estrutura por dentro qualquer ente, por outro, permite, como dizíamos, acesso intelectual humano a esse ente[13]. No caso do isqueiro, a ratio que o constitui, enquanto isqueiro, é o que me permite conhecê-lo e, uma vez conhecido, consertá-lo, trocar uma peça etc.

Guardadas as devidas distâncias[14], é nesse sentido que o cristianismo fala da “Criação pelo Verbo”; e é por isso também que a Teologia – na feliz formulação do teólogo alemão Romano Guardini – afirma o “caráter verbal” (Wort-charakter) de cada ser. Ou, em sentença de Tomás: “Assim como a palavra audível manifesta a palavra interior[15], assim também a criatura manifesta a concepção divina (…); as criaturas são como palavras que manifestam o Verbo de Deus” (I d. 27, 2.2 ad 3).

Assim, para Tomás, não só Deus é, por excelência, Aquele que fala, mas as próprias criaturas são “palavras” proferidas por Deus.

Essa concepção de Criação como fala de Deus, a Criação como ato inteligente de Deus, foi muito bem expressa numa aguda sentença de Sartre, que intenta negá-la: “Não há natureza humana, porque não há Deus para concebê-la”. De um modo positivo, poder-se-ia enunciar o mesmo desta forma: só se pode falar em essência, em natureza, em “verdade das coisas”, na medida em que há um projeto divino incorporado a elas, ou melhor, constituindo-as.

A “natureza”, especialmente no caso da natureza humana, não é entendida pela Teologia como algo rígido, como uma camisa de força metafísica, mas como um projeto vivo, um impulso ontológico inicial[16], um “lançamento no ser”, cujas diretrizes fundamentais são dadas precisamente pelo ato criador, que, no entanto, requer a complementação pelo agir livre e responsável do homem.

Nesse sentido, Tomás fala da moral como ultimum potentiae, como um processo de auto-realização do homem; corresponde-lhe continuar, levar a cabo aquilo que principiou com o ato criador de Deus. Assim, todo o agir humano (o trabalho, a educação, o amor etc.) constitui uma colaboração do homem com o agir divino, precisamente porque Deus quis contar com essa cooperação.

Essas considerações servirão para analisar algumas convicções da visão de mundo, expressa por provérbios bantu que, surpreendentemente, coincidem de modo profundo com o conceito cristão de criação.

Nas línguas bantu, encontraremos diversas designações de Deus (cfr. Kagame, 135 e ss.), como: Kalunga: aquele-que-por-excelência-junta[17]; Leza: o todo-poderoso; Molimo: o Espírito; Ruhanga: O Criador; etc. Mas é Nzambi (ou zambi), da nona classe, a forma mais freqüente e também a mais sugestiva de nomear a Deus. Nzambi é um derivado do verbo amba[18], que significa falar. E chamar a Deus de Nzambi[19], é chamá-lo literalmente de “aquele que, por excelência, fala”[20].

Por isso KAMBAMI, significa “Falador meu”, levando em conta a conotação familiar, podemos dizer: ” O filho que fala pelo Pai”.(como já expliquei acima).

“Kambua kikamba Nzambi; muntu limonho uisesula, Ki Ngana Nzambi Mpungu u kiambote uá tenioso.! ”

(Palavra proferida por Deus, compete ao homem completá-la, que Deus proteja a todos.)

Pesquisa realizada baseada nas obras:

 

Créditos

1 -Tomás de Aquino e a Metafísica da Língua Bantu

Por, Luiz Jean Lauand

Fac. Educ. Univ. São Paulo

 

2- Dicionário de Cordeiro da Matta – 1893

3 – Gramática do Kimbundu – Heli Chantelain – 1888

4 – Gramática de Umbundu – J. Pereira do Nascimento

***Obs: Todos os dicionários foram doados pela Drª. Fátima (Katulembe)

 

Logo podem me chamar de El-Jabel/ Kambami ou a mistura de ambos Kael.

(Primeira publicação em 2005)

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Sobre KAMBAMI

Uma metamorfose humana do conhecer e aprender. Simples porém exigente. Bem sobre o autor desse blog, me parece ser um cara legal, gosta de conversar, dar pitacos aqui e acolá. Procuro ser o mais sincero que a vida me permite, adoro amizades, sou tímido acreditem também uma metamorfose ambulante como diria Raul. Adoro cozinhar, mas na escrita sou mesmo comilão, como acento, concordância verbal, minha gramática de fato anda bem mal, mas sou um cara legal. Tenho muito gosto em escrever o que me vem à mente ou o que me chega aos ouvidos e visão, sou um observador nato desde minha aparição. Aqui é um palco de teatro não se engane há muito de quem escreve e muito de fantasia, mas não há bilheteria, então sinta-se a vontade, puxe sua cadeira e sente, estou quase sempre presente, me enrolo muitas vezes nessa de seguir quem me segue, me perco nesse mundo danado de internet. Não sou esnobe, sou pessoa bem simples, gosto da natureza, da boa mesa, do bom papo, não tenho hora, não uso relógio para controlar meu tempo, a muito me deixei ser levado ao vento, ora furioso que me derruba e machuca, ora bondoso que me embala em doçura. Chamo-me Cláudio El-Jabel, também podem me chamar de Kambami ou Kael, adoro distribuir carinho sem intenção outra que não seja da amizade ser bela, ser amiga, ser sincera, entendo que nossa vida é algo muito rápido e nem sempre dá tempo de nos conhecermos melhor, mas essa é minha apresentação, muito prazer, eu não esqueço vocês, já os tenho em meu coração, sejam bem vindo então.
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9 respostas para SIGNIFICADO DO NOME EL-JABEL E KAMBAMI

  1. Sabrina Izabelly disse:

    Nossa que legal, adoro nomes diferentes.. 🙂

    https://canalaleatorio.wordpress.com/

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  2. MariaLDário disse:

    Fico encantada com tanto conhecimento que você tem, Kambami. Parabéns pelo seu nome, por seus ascendentes, suas origens, enfim. Bom sábado!

    Curtido por 1 pessoa

  3. jomabastos disse:

    Muita Cultura!
    “Samba é rezar”. Já li algures que os escravos como eram proibidos de rezar aos seus deuses, rezavam cantando samba, e assim os patrões pensavam, que o cantar deles era divertimento.

    Curtido por 1 pessoa

    • KAMBAMI disse:

      É bem por ai mesmo, só não posso afirmar o que a música do Vinícius afirma, dizendo: “quem não gosta de samba bom sujeito não é, é(tá) ruim da cabeça ou doente do pé”, mas entendi a brincadeira dele, rsss. 😉

      Curtido por 1 pessoa

  4. roccalex1 disse:

    Muito interessante, amigo querido. Adoro conhecer a origem e o significado dos nomes. O meu é Alexandre André, que em grego significa “defensor da raça humana” e “viril”.
    Um grande abraço.

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  5. Zena Ribeiro disse:

    Uau, quanta informação acerca de um nome!! Encantada.. e você faz jus ao nome que tem, pois se mostra uma pessoa bem informada que faz um bom uso das palavras, parabéns por tamanha sabedoria!!Bjos

    Curtido por 1 pessoa

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