MANUAL DO BOM SACERDOTE

Fio de Ògún e Òsáàlà

MANUAL DO BOM SACERDOTE

 por Cláudio El-Jabel (Kambami)

(Zelador, Babalorisà, Iyàlorisà, Tat’eto, Mam’etu, Doté, Doné, Vodunon e Babalawo).


1- Em primeiro lugar, entenda que você não é dono de ninguém, muito menos de Òrìsà, apenas aprendeu a cultuá-lo.

2- Seja humilde, a humildade é sinônimo de sabedoria, não queira impor nada, faça-se ser compreendido, isso bastará.

3- Não minta nem omita nada, para prover proveito em benefício próprio.

4- Você não tem mais Òrìsà que ninguém, todos são iguais perante Olódùmarè.

5- Não faça ninguém de escravo ou empregado, se quiser um trabalhe, e tenha situação para contratá-lo.

6- Não faça reuniões somente para mostrar erros e para pedir ajuda, se utilize da mesma para organizar seu Ilè, e nomeie os mais responsáveis para ajudá-lo na administração, independente de cargos ou tempo de iniciação, você está lidando com pessoas, não com títulos.

7- Não esqueça de sempre reunir os “filhos de santo” para passar conhecimento do que você sabe, de forma objetiva, sem mistérios e segredos desnecessários, lembre-se, a palavra TRADIÇÃO, vem do latim “TRADITIO”, significando TRANSMISSÃO, logo transmita-a, o culto aos Òrìsà, é simples, basta ter amor. Como dizia o saudoso Agenor Miranda, “Òrìsà não tem segredo quem os cria são os Homens”.

8- Jamais se envolva com uma filha(o) do Ilè, e nem permita esse tipo de conduta na casa, ali não é um local profano e sim sagrado (Templo).

9- Se não sabe, pergunte, ou vá estudar mais, mas não invente, para não pagar mais tarde pela ignorância, lembre-se ninguém sabe tudo, ou lembra de tudo normalmente, se necessário releia seus ensinamentos, ou procure um mais velho.

10- Trate com atenção todos, sem descriminação, não é porque fulano contribui com mais dinheiro que será mais merecedor, apenas tem uma situação que pode ajudar mais, nada mais, não se venda por dinheiro

11- Jamais “despache” qualquer assentamento que tenha sido feito, ali existe uma energia (egrégora), acerte-o e cultue.

12- Não tenha pressa em completar seu sirè, recolhendo qualquer um que apareça, dê tempo e conheça bem a pessoa que você irá dar seu àse.

13- Não use roupas extravagantes demais, ali não é a Marquês de Sapucaí, aguarde o Carnaval para soltar a franga, plumas e paetês,  caso a tenha.

14- Fale baixo e jamais chame a atenção de alguém em público (para aparecer) por qualquer motivo, reserve um dia para conversar com os seus filhos em particular e separadamente, caso tenha que chamar a atenção, e mesmo assim esclareça que trata-se de educar e não de impor algo.

15- Monte um conselho deliberativo, para julgar algo importante, não tome atitudes sozinho, uma vez criado o Ilè, o mesmo passa a pertencer a comunidade que o frequenta (filhos). É óbvio que você terá sempre o voto de Minerva, mas para isso terá que saber convencer o conselho, caso não concordem com seu voto (saiba se utilizar de argumentos concretos e verdadeiros).

16- Cobre estritamente o necessário pelo seu trabalho sacerdotal, você não é dono de loteamento, para ficar vendendo chão, muito menos estelionatário para não passar as escrituras do que foi vendido.

17- Sempre que possível, reveja e reavalie seus conceitos, lembre-se, o mundo muda, e nossa religião é para se adaptar ao momento em que vivemos.

18- Não se incomode em dar festas, se incomode em ter feito tudo certo sem ter esquecido de nada, lembre-se. Disso dependerá o sucesso ou não daquela pessoa, e o seu também.

19- Não faça adaptações desnecessárias, jamais, é melhor o pouco com fé e fundamento do que o muito sem ela.

20- Aprenda de uma vez por todas, quem tem que aprender é o “filho de santo” não o Òrìsà dele, por favor….

21- A “família de santo” não se restringe somente aos dias de culto, logo, em comemorações particulares (aniversários, churrascos e outras festividades), que não estejam ligadas à religião, se utilize de local apropriado.  “Casa de santo”(Ilè) é local de culto a Òrìsà, puro e tão somente.

22- Os cantos (Orin), os Ofo (encantamentos), os Orikis, e as rezas (Gbàdúràs), são de extrema importância no culto, logo certifique-se que todos aprendam a entoá-las, independentemente de estarem traduzidas ou não.

23- Regras de conduta, horários e responsabilidades, são para serem cumpridas, certifique-se sempre do cumprimento das mesmas por todos da casa começando pelo Sacerdote.

24- Lembre-se, você é apenas um sacerdote de Òrìsà, não tente fazer aquilo que não lhe compete, seja sincero com você mesmo e com o seu semelhante.

25- Lembre-se, conhecimento não dá superpoderes a ninguém, saber fazer não significa que você pode mover montanhas, existe sempre a lei do merecimento, entenda que você não é o Deus da história, apenas um escolhido que aprendeu a manipular os pedidos ao mesmo, faça-se por merecer a confiança de Olódùmarè. Existe muito mais entre o Orun e o Ayê e suas OWÓ (mão).

26- Regras são para todos, desde Abyans a Oye, logo, nada dessa de Ogan, subir para tocar sem antes ter tomado banho e cumprimentar os irmãos todos presentes, muito menos, tendo consumido bebidas alcoólicas e trajes que não façam parte da função. Atabaques (Ilu), são Santos (Òrìsà) assentados, não tambores de Escola de Samba, muito menos é para uma reunião de pagodeiros.

27- Função de Ekedji, além de outras, é na hora do sirè dar apoio e servir os Òrìsà presente, tricô, fumar, namorar, sentar e não fazer nada, são para fora do Ilè.

28- Ser Sacerdote de Òrìsà, não é para qualquer um, é cansativo, necessita de vocação, conhecimento profundo, tempo, discernimento, sabedoria, calma, honestidade, capacidade, pluralidade, amor e principalmente espiritualidade (Fé), caso não as tenha, procure um outro caminho ou profissão e seja feliz.

29- Não siga o exemplo errado de muitos, que aceitavam a idolatria, se achando os donos da verdade, os todos poderosos, como se os Òrìsà, em troca de algumas oferendas estariam a servi-los sem questionar, isso é uma ilusão, você não precisa de idolatria e sim de sabedoria e humildade, só assim os Òrìsà estarão dispostos a lhe ajudar.

30- Finalizando, entenda que um Ilè Asè Òrìsà, é um templo, e o dever primordial de seus Sacerdotes, é o de ensinar a cultura de sua religião, direitos e deveres hierárquicos sem mitos, fantasias e principalmente terrorismo ou ameaças. Nunca imponha seu cargo ou “tempo de iniciação”, para exigir respeito, faça-se por merecê-lo pelos seus procedimentos como sacerdote. Não iluda ninguém com expectativas fantasiosas, seja uma pessoa de caráter. 

 

(ESTE MANUAL FOI AUTORIZADO PARA SER DISTRIBUÍDO DESDE QUE CITADO A AUTORIA)

 

Que Ògún possa dar caminho aos que trilham pelo caminho correto, um abraço Kambami.

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Sobre KAMBAMI

Uma metamorfose humana do conhecer e aprender. Simples porém exigente. Bem sobre o autor desse blog, me parece ser um cara legal, gosta de conversar, dar pitacos aqui e acolá. Procuro ser o mais sincero que a vida me permite, adoro amizades, sou tímido acreditem também uma metamorfose ambulante como diria Raul. Adoro cozinhar, mas na escrita sou mesmo comilão, como acento, concordância verbal, minha gramática de fato anda bem mal, mas sou um cara legal. Tenho muito gosto em escrever o que me vem à mente ou o que me chega aos ouvidos e visão, sou um observador nato desde minha aparição. Aqui é um palco de teatro não se engane há muito de quem escreve e muito de fantasia, mas não há bilheteria, então sinta-se a vontade, puxe sua cadeira e sente, estou quase sempre presente, me enrolo muitas vezes nessa de seguir quem me segue, me perco nesse mundo danado de internet. Não sou esnobe, sou pessoa bem simples, gosto da natureza, da boa mesa, do bom papo, não tenho hora, não uso relógio para controlar meu tempo, a muito me deixei ser levado ao vento, ora furioso que me derruba e machuca, ora bondoso que me embala em doçura. Chamo-me Cláudio El-Jabel, também podem me chamar de Kambami ou Kael, adoro distribuir carinho sem intenção outra que não seja da amizade ser bela, ser amiga, ser sincera, entendo que nossa vida é algo muito rápido e nem sempre dá tempo de nos conhecermos melhor, mas essa é minha apresentação, muito prazer, eu não esqueço vocês, já os tenho em meu coração, sejam bem vindo então.
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